Viagens por Wellington Briques – parte III

O próximo trecho entre Corrientes e Salta nos levou pela Ruta 16 ao oeste, passando por uma ponte enorme e muito alta sobre o Rio Paraná. Aproveitamos a vista fantástica sobre a imensidão plana à nossa frente, andando devagar naquela manhã de sol forte e céu aberto. Do outro lado do rio, a estrada começa a se definir como uma trilha reta de centenas e centenas de quilômetros com quase nada nas margens, cruzando o “Chaco Del Infierno”. Ao longo desta via, existem apenas pequenos vilarejos muito pobres, sem recursos e alguns poucos postos de gasolina colocados estrategicamente para que se possa abastecer sem ficar no meio do nada. Quando a manhã ia avançando, trazendo consigo as temperaturas mais altas, começamos a notar uma grande quantidade de borboletas na estrada. Era bonito ver elas voando por todos os lados e colorindo aquele asfalto cinza escuro e muito quente. Poucas horas mais tarde o número de borboletas cresceu exponencialmente, fazendo com que tudo que estivesse exposto ao fluxo de ar ficasse coberto de borboletas mortas. Os pára-brisas e os radiadores ficaram inteiramente tomados. Na parada em Presidente Roque Sans Peña, os garotos locais até ganham algum trocado limpando a frente dos carros e das motos das borboletas acumuladas pelos 500 km do Chaco del Infierno. Fomos parados pela primeira vez pela polícia em Pampa de los Guanacos. O policial, após verificar que toda a documentação estava em ordem, nos solicitou a famosa “contribuicción”. Na próxima parada que fizemos, encontramos um casal de brasileiros vindos da Bolívia, viajando cada um na sua moto eles voltavam para casa, no Rio Grande do Sul. Deu inveja ao ver os pequenos volumes de bagagem que levavam, comparado às nossas enormes malas e bagageiros. Nesta parada já na metade da tarde, os dois que tiveram problemas com a torta de chocolate ainda não estavam completamente recuperados e ficamos um tempo a mais parados para hidratação. Depois de cruzar aquela imensidão plana e cheia de borboletas, pegamos a saída para a Ruta 9, que muda completamente a paisagem. Estrada com pista dupla, e curvas, muito bonita, com as cidades abaixo e as cordilheiras ao fundo. Salta é uma das entradas para as cordilheiras que tem boa infra-estrutura de turismo, com teleférico, parques, bons restaurantes, vinhedos e locais históricos. Havíamos planejado ficar por três noites e conhecer um pouco mais da cidade, porém os planos mudaram e ficamos apenas duas noites. Mesmo assim, foi possível conhecer bem todo o centro histórico, fazer um city-tour, subir no teleférico, jantar muito bem com vinho local, verificar e completar óleo do motor e desfrutar da “pileta com cerveza”, é claro! Confira a parte IV na semana que vem!










11 Junho, 2010 às 9:32
Wellington
Suas fotos e seu relato estão com certeza estimulando nossos amigos a entrarem neste seleto clube dos motociclistas de longa distancia e isto é muito bom. As lembranças destas viagens não se apagam das nossas mentes alem de serem uma excelente terapia pro nosso dia a dia atribulado.
Parabens.