Postado por guilherme em Aventura, BMW, Caltabiano Moto Club, Guilherme Lunardelli, infância, minha primeira moto, recordação | 22 Outubro, 2009 | 5 Comentários
A minha primeira moto
Olá gente! Espero que estejam todos bem e curtindo o blog!
Vamos começar, a partir desta semana, a postar histórias sobre “A minha primeira moto”. No primeiro post sobre o tema temos a história do Guilherme, que é o fotógrafo do clube, e se propôs a compartilhar sua história com agente.
Se você também quiser contar sua história, pode mandar e-mail para marina.zaccaria@caltabiano.com.br com seus contatos para que eu possa fazer algumas perguntas, e se preferir já pode até enviar algum texto.
Espero que gostem, e não deixem de comentar!
Um abraço Marina Belluzzo

Para início de conversa, quem me ensinou a pilotar uma motocicleta foi minha mãe.
A “mama” sempre gostou das máquinas em geral e principalmente as de duas rodas. Desde sua adolescência, tempo em que ela corria de kart com o Emerson Fittipaldi usando o nome de Úrsula, para o meu avô não descobrir. Dito isto, e antes de continuar falando da minha primeira moto, faz-se necessário ambientar o contexto histórico, dar o clima nostálgico próprio das lembranças da juventude.
O ano era 1982, morávamos, pai, mãe, minha irmã e eu, em Ribeirão Preto, no bairro Riberânia, próximo ao estádio do Botafogo. Nossa casa ficava em uma rua tranquila e sem saída. Naquele tempo Ribeirão ainda era uma calma cidadezinha de interior. A chamada Califórnia brasileira, só que em vez de computadores ouro e petróleo, a versão Tupiniquim, tinha a cana-de-açúcar e os chocolates Garoto.
Em uma quente tarde de verão, estava eu na rua, como sempre pedalando a minha bicicleta verde. Era uma bicicletinha diferente, tinha um estilo “Chopper/Easy rider”, com pneu traseiro com faixas brancas e mais grosso que o dianteiro, guidão duplo, alto e cromado, câmbio de três velocidades com seletor de marcha que parecia um acelerador de lancha instalado no quadro, banco em “L”, com detalhes cromados e refletor vermelho.
Tentava eu, naquela tarde, dominar as derrapagens usando o recém instalado freio no pedal, quando apareceu, para uma visita o tio Carlinhos. Sorridente, ele pilotava uma Turuna 125, vermelha novinha. Nem bem ele parou a moto e já me convidou para dar uma volta pelo bairro. Topei na hora! Descemos a minha rua em direção ao estádio do Botafogo, era domingo, mas não havia jogo. O tio Carlinhos “tocou” para o estacionamento do estádio e parou diante de um imenso barranco gramado.
– Vamos subir? Perguntou ele sorrindo e olhando para trás me encarando. Dei de ombros e disse que ele estava louco. Só deu tempo para segurar na barriga dele, quando vi, estávamos subindo o tal barranco, “a milhão”, os dois de chinelos! Putz!
Convencido que eu ia querer ficar a tarde toda subindo e descendo o barranco de moto, tio Carlinhos achou melhor ir para casa e concluir a visitinha. Agora eu sabia o que eu queria pedir para o papai Noel, uma moto!
Dois anos mais tarde, nas férias de julho, fomos passar uns dias em Campos do Jordão. Lá, tive a oportunidade, finalmente, de pilotar uma moto de verdade. Mamãe tinha comprado a novidade da época, uma XL 250 R. Branca e vermelha, um sonho! Papai havia pilotado desde Ribeirão e a moto ficava a maior parte do tempo parada, uma tentação! O grande problema é que eu não alcançava os pés no chão. Desta forma tinha que “encher o saco” o dia todo para mamãe liberar a XL.
Sim, porque ela tinha que liberar a chave e me por para andar, e ainda me resgatar quando eu me dava por satisfeito. Eu ficava andando em círculos em um pasto cercado por tábuas brancas, era nelas que escorava o pé, me apoiando quando parava, aí, buzinava para a mãe segurar a moto e eu conseguir descer.
O tempo passou, cresci um pouco. Porém, minha vontade de pilotar havia dobrado de tamanho. Não havia mais como o papai Noel não me atender, não que naquela altura da vida eu ainda acreditasse no bom velhinho, mas era um forte e antigo argumento que usava para convencer papai sobre meu antigo e persistente desejo. Um belo dia, vitória! Teria a decisiva e fundamental ajuda do meu pai. Juntos, fomos comprar a minha tão sonhada moto. Escolhemos uma Yamaha DT 180 preta. Dois tempos, relação curta, leve, ideal para o início. Já tinha pilotado bastante uma Mobilette, mas moto mesmo, muito pouco. Bom, tal qual a letra da música Vital e sua moto, dos Paralamas do Sucesso, “passei a me sentir total”.
Foram várias aventuras pelo interior de São Paulo. Como era menor de idade, só podia usá-la em fazendas e sítios que eventualmente visitássemos. As estradinhas de terra foram a minha sala de aula de pilotagem motociclistica.
Mas, quando voltamos a morar novamente em São Paulo, meu pai alertou-me sobre os perigos de pilotar na cidade e que em consequência disto, eu estava proibido. Não deu outra, foi só eu não avisar sobre o meu paradeiro em uma determinada saída ilegal de moto, que, ao voltar, ele disse que iríamos vendê-la. Eu tinha dezesseis anos e não poderia fazer nada a não ser obedecer e me “enquadrar”.
Ao completar dezoito anos, fui recrutado para o Exército, servindo em Mutinga, pertinho de Osasco. Nesta época consegui ter um Gol para ir e vir do quartel, o que me deixava muito feliz, mas nunca mais esqueci a DT. Somente anos mais tarde comprei uma Ténéré 600 muito conservada, e daí em diante, não mais parei de ter, pelo menos uma scooter na garagem de casa.
Hoje sou feliz proprietário de uma R1200GS, e esta é a minha história, conte a sua!
Um abraço a todos,
Guilherme.
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Tags: Aventura, BMW, Caltabiano Moto Club, Guilherme Lunardelli, infância, minha primeira moto, recordação














22 Outubro, 2009 às 16:54
Gostei muito do texto! Fartamente ilustrado, e dando início a essa série de relatos que prometem movimentar ainda mais este blog!
Parabéns!
22 Outubro, 2009 às 17:27
Adorei é realmete uma paixão pelas duas rodas!!!
23 Outubro, 2009 às 15:13
Ficamos felizes que tenham gostado! Esperamos trazer mais histórias e relatos sobre o tema. Afinal, é muito bom compartilhar experiências dessa paixão, não é?
Você pode ser o próximo assunto, não deixe de mandar sua história!
Um abraço.
23 Outubro, 2009 às 15:34
Interessante a historia da iniciação do Guilherme neste mundo maravilhoso das duas rodas e mais interessante ainda é o fato de ter sido sua mãe quem o estimulou. E como ele cresceu nos últimos anos!!!!
25 Outubro, 2009 às 20:27
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